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sábado, 23 de maio de 2015

Eddy Ilunga Kamuanga






Eddy Ilunga Kamuanga's works at the Exibithion Pagaea II
at the Saatchi Gallery.
Obras de Eddy Ilunga Kamuanga em exibição na exposição Pangaea II 
na Saatchi Gallery.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Boris Nzebo










Boris Nzebo's works at the Exibithion Pagaea II
at the Saatchi Gallery.
Obras de Boris Nzebo em exibição na exposição Pangaea II 
na Saatchi Gallery.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Ephrem Solomon













Ephrem Solomon's works at the Exibithion Pagaea II
at the Saatchi Gallery.
Obras de Ephrem Solomons em exibição na exposição Pangaea II na Saatchi Gallery.

sábado, 26 de outubro de 2013

Paisagens do silêncio em Leonilson e Louise Bourgeois






















"Ouvir a pedra, ouvir o traço mesmo do lápis sobre o papel, coloca em perspectiva que o artista precisa, em alguns momentos, calar-se. Se é conversação o que a artista busca estabelecer em termos de relação com o material; então esta conversa é realizada na medida em que tece falas e escutas, afirmações e silêncios. A paisagem de silêncios de Louise evoca, por um lado, a impossibilidade de todos nós de comunicarmos verbalmente o inconsciente e os desejos. Mas, por outro lado, evoca a presença do silêncio na fala. O que a princípio pode parecer uma falha, um problema – a impossibilidade de comunicar – rasga o tempo da afirmação autoral ao abrir espaço para a escuta. A potência da escuta, na falência da língua, torna-se marca gravada na pedra."

Comunicação apresentada no II Colóquio Literatura e Paisagem e II Colóquio Internacional Interdisciplinar Literatura, Viagens e Turismo Cultural no Brasil, na França e em Portugal, ocorrido no Rio de Janeiro em Outubro de 2013. Para ler na íntegra, acesse:

http://issuu.com/palavraimagem/docs/ana_lucia_beck_paisagens_do_sil__nc

sábado, 27 de julho de 2013

Cavando um vazio o rasgo se desenha





A obra de Hermes é, sobretudo, convite à busca. Busca pelos lugares menos previsíveis de nossa capacidade de formular: gestos, falas, imagens. Convite à busca de um não lugar que forma-se no entre. Na fissura proposta por Barthes ou no vazio concebido por Didi-Hubermann, busca-se uma significação que se esconde em nossos avessos, no lado de trás, nos sulcos da matéria do papel. Na subversão do papel que deixa de ser um onde para ser!
Na contramão de um tempo que corre rápido demais, que custa dinheiro demais, que escorre em dias não notados, nos devolve a todos, e primeiro a si próprio, o prazer dos lugares o dos tempos da infância. “Às vezes, é necessário puxar as redes para observar o movimento do mar”, afirma Hermes pescador. Eu, criança, acompanhava às vezes meu avô quando ele ia pescar. Não me importavam muito os bagres que depois viravam ensopado para o almoço, ou os papa-terras deliciosamente fritos por minha avó. Creio que, no fundo, o que me interessava era mesmo olhar o mar. O eterno movimento de ir e vir, de ser sempre diferente, sempre imprevisível, e, talvez por isso mesmo, ser sempre o mesmo infinito.
Hoje, penso que o puxar das redes que Hermes nos propõe, é puxar as redes do tempo, parar um pouco o relógio para olhar para dentro: nossos mares interiores, nossas lembranças, nossas infâncias, nossos retalhos, nossos pedaços, nossos rasgos. Nossas imagens internas que se fazem de pedaços rasgados também. Que se formam – curiosamente – não para além do rasgo, na superação do trauma do rasgo; mas por causa do rasgo. Por causa do rasgo, vivemos todos da possibilidade de lidar – como faz Hermes nesses desenhos rasgados – com a imprevisibilidade: a poesia do movimento.
Hermes valoriza o gesto, mas, nesta série, escolhe radicalizar – e nisso opera uma forte desconstrução ideológica – a concepção do gesto na busca daquilo que, de fato, elabora um desenho: a mão. Não é a decisão pensada, mas a mão quem desenha. A forma não está posta, não é conhecida de antemão. A mão que rasga não controla, é conduzida pelo desejo da descoberta. Descoberta no rasgo. Rasgar-se para dentro. Rasgar a forma é elaborar a escuta de seu próprio gesto. Reconhecer seus impulsos. Quais são os desejos que se escondem por baixo da polpa do papel? Que medos, que procuras conduzem a mão que rasga? Mão que não controla, mas descobre. O gesto, descontrolado, em silêncio, na sutil música da polpa que se separa do papel, elabora o rasgo do desenho. Na contramão de nossa ansiedade de tudo controlar, de tudo possuir, de tudo decidir, abre-se o espaço do desenho que, como em muitas obras de arte, se elabora no entre. Entre a vontade de controle e o desejo do gesto. Entre a dureza da decisão e o acaso da energia posta em movimento. No desejo que carrega a mão, quase como uma carícia internalizada nas paisagens do imaginário, elabora-se o desenho do entre. Entre ontem e hoje. Em um entre sempre impermanente, Hermes evita colar. Seus papéis rasgados, sobrepostos, justapostos, intercalados, associados, são delicadamente amontoados, compostos em obras de pedaços soltos que podem se reassociar, realinhar, recompor, predispor, reorganizar num movimento infinito de um sempre que é sempre o mesmo sendo sempre potencialmente outro. Diferença em potência permanente.
Hermes, como o mar, não finaliza. Não acaba. Apenas nos abraça, nos envolve com sua imagem no tempo de três ondas e meia. Ondas que nos convidam a revisitar nossos próprios lugares de infância, nossas lembranças, nosso próprio imaginário. E, por que não, também nossos medos e segredos. Depois, se recolhe novamente. O que virá carregado pela próxima onda? Valentina e Louise bem o sabem: em algum lugar de nós, a infância dura para sempre.
O texto acima foi escrito para a apresentação da exposição "Meus papéis - rasgos e aderências na linha narrativa", exibida por Hermes Bernardi Jr. em maio/junho 2013 no Centro Municipal de Cultura/Atelier Livre de Porto Alegre. A exposição fez parte dos eventos de lançamento do livro "Conchas", de sua autoria, publicado pela editora Edelbra.
Para maiores informações sobre o livro Conchas, acesse: http://loja.edelbra.com.br/conchas.html
Para conhecer mais sobre o trabalho do Hermes em Arte e Literatura, acesse: http://www.hermesbernardijunior.net/
 

sábado, 11 de maio de 2013

William Kentridge explica e entrevista: O que é a Arte? Lição de Desenho número 47


http://www.youtube.com/watch?v=9F1hMqJLaVY

Tradução do áudio: Ana Lúcia Beck, a partir de vídeo postado no youtube.

Esta entrevista para o Escola de Artes Estudio NY, acontece no domingo, 3 de outubro às 9...
9:15, da manhã.
9:05, da manhã. Nós temos 3 minutos, então, por favor, tenha em mente respostas sucintas, objetivas, e que sejam acessíveis ao público em geral que está nos ouvindo. Você pode nos descrever a sua vida enquanto artista? Ou melhor, você poderia nos dizer o que você fez hoje que nos dê uma ideia de como você preenche suas horas entre acordar e ir dormir todos os dias? Você tem como nos falar sobre... sobre....
Ok. Tempo... Há tantas coisas com as quais alguém pode começar... mas o tempo é curto para explicar...
[tapando o microfone:] Ele não está dizendo nada que seja interessante, de jeito algum. Ele não está falando sobre a verdade, ou a beleza, ou sobre a verdade mística que é revelada pelo artista. Ele está falando sobre... maionese; molho tabasco! Vamos falar sobre inspiração! Eu quero dizer, você diria que a sua inspiração vem dos céus enquanto cor...
O quê?
... de uma vaca leiteira? Isto é Hopkins...
Eu sei quem é Hopkins. Eu li tudo o que você leu. E mais.
Certo, aqui está a pergunta. Alguém pode ensinar arte?
Sim.
Não. Eu vou tomar nota aqui: não! Quer dizer, ou você tem a habilidade de fazer arte, ou não. Você concorda?
Não.
Eu vou tomar nota: sim! Quer dizer, o que faz você ter um “click”? Quer dizer, será que conseguiremos ter uma palavra verdadeira de você? Estamos esperando aqui para ouvir a resposta!
Eu vou ultrapassar você, ano após ano!
Tá bem, tá bem... você pode pelo menos nos contar como faz o seu trabalho? Quer dizer, talvez seja como uma imagem que você tem em sua cabeça e essa imagem vem vindo, vem descendo em tua direção? Ou você começa com uma folha branca... você começa com uma folha branca de papel e aí, devagarzinho, você encontra esta mídia intermediária entre você mesmo... você mesmo e o mundo que torna possível que você navegue pelos seus cursos... [frase em suspensão; pausa dramática] Realmente, não há validade alguma. Nada! Fraco, fraco... Eu não sei realmente o que ele está fazendo aqui hoje à noite. Isto conclui nossa entrevista!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cortinas de banheiro e outros erotismos...









Fiquei encantada quando vi este projeto fotográfico: The Nu Project, do Matt Blum. Lembrei de um trecho lido dia desses sobre o erotismo que afirmava que o erotismo existe em nossa cabeça, em nossa mente, muito mais do que em nosso corpo. Certa vez tive uma reveladora conversa sobre imaginário baseada na consideração sobre o valor das cortinas no box do meu banheiro. Obviamente certo outro argumentava comigo sobre a necessidade que havia de eu substituir minha cortina com estampa setentosa em tons de azul por um box de vidro temperado. Quanto a mim, definitivamente, o banheiro perderia o tempero, justamente. Pois bem, a série de Matt mostra justamente isto, revela e é isto: uma nudez real. E, talvez por isso, algo com real potencial erótico. Admirei tanto o fato do fotógrafo mostrar corpos reais como o fato de fotografá-los em seu próprio ambiente. Erotismo é isso, não é a perfeição da forma. A série de fotografias de Matt me lembrou muito a série de desenhos de banhistas realizadas por Degas no final do século XIX. Sobre o desenho, Degas afirmava que não era a forma, mas a maneira de ver a forma. Erótica é a maneira de ver a forma. Há coisa mais brochante que um estereótipo? Muito mais do que encontro de um corpo idealizado - massacrado em nosso imaginário pela mídia - o erótico pode ser o insuspeito de nós mesmos que descobrimos através do outro. A cor de uma parede, os ladrilhos antigos na parede do banheiro, uma sujeirinha no canto, o tecido amaciado pela pele da roupa de cama, certo livro na estante, é tão erótico quanto um insuspeito, um desconhecido, imprevisto gosto de boca, dobra de pele, cheiro, marca, coçadinha no queixo. O potencial erótico da série de Matt se amplia ao mostrar não somente certas nudezes, mas também certas casas, certas vidas, certas realidades. Afinal, despir-se é bem mais difícil do que tirar a roupa.

Além das imagens, pra quem se vira com o inglês, o site do projeto é absurdamente generoso e, penso, uma fonte muito interessante de pesquisa, pois disponibiliza também muitas informações e depoimentos das mulheres fotografadas. 
Para ver o trabalho na íntegra, acesse: http://thenuproject.com/

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sinto falta de imagens menos óbvias!

Há algum tempo tenho achando o cinema chato. Igual. Gosto de ver filmes que de alguma maneira me comovam, ou me surpreendam. E que façam isso abalando profundamente minha percepção e minha maneira de ver e pensar sobre as coisas. Tem sido difícil ter esta experiência ultimamente. Mas, pelo menos três filmes da temporada cinéfila de verão mexeram comigo.
Não se trata de obras primas do cinema. Em matéria de cinema, sempre acho que o visual é uma das causas da alteração da percepção, logo, é responsável pela alteração em nossa maneira de pensar. Gosto de pensar que a imagem no cinema permite aquilo que Wim Wenders (http://www.wim-wenders.com/ e http://pt.wikipedia.org/wiki/Wim_Wenders) no documentário Janela da Alma chama de espaço para “entrar no filme”. A partir daí, levando em consideração a minha relação com o cinema, o restante acompanha. Fala-se por imagens. Conta-se histórias, como diz Wim Wenders com imagens. A música, o roteiro, os personagens, podem ser uma tentativa de abertura da imagem. Quando isto acontece, tem-se o cinema que aprecio. O cinema que necessito.
Dentre os três filmes vistos recentemente, há um no qual esta idéia fica explícita: Biutiful de Alejandro González Iñárritu
(http://www.youtube.com/watch?v=ra8a-D7p3JE&feature=related). A história se passa em Barcelona, mas a maior parte dos turistas que estiveram lá um dia talvez não entendam o que vou dizer agora. O filme de Alejandro me fez lembrar do cheiro de Barcelona! Mais do que o enredo, que não é pouca coisa, ou da atuação de Javier Barden que é incrível, este filme me pegou pelas imagens de Barcelona que apresenta. Não falo somente das tomadas panorâmicas menos óbvias da cidade. Falo dos becos, das ruas na luz outonal, da Barcelona da chuva, falo do banheiro, das janelas e do papel de parede! Biutiful me transportou para o registro de algo que já vivi, imersa de corpo, de alma.
Há também um filme simples que me pegou pela projeção. Pela projeção de mim mesma ali na tela. Sobrevivendo com lobos (http://www.youtube.com/watch?v=Gnj9IhOkvnw&feature=player_embedded) me fez ver, viver, e reviver, o sonho. Um sonho infantil com lobos e feras selvagens. O filme transformou em imagem real meu imaginário infantil. Me devolveu o vento e a neve! O filme me lembrou que algumas ficções são mais reais que nossa história verídica!
Já o terceiro filme que me marcou na temporada me pegou pela emoção. O Concerto (http://www.youtube.com/watch?v=pMA3or8iT9I) pode não ser genial na forma, mas é complexo ao levar o espectador, de fato, do riso às lágrimas. Há uma ironia política sutil na história. Bom, nem sempre sutil... Há uma revelação mais ou menos óbvia da relação entre histórias pessoais e escolhas artísticas, ou mesmo a escolha pela arte em si. Mas não me pareceu nada óbvia a maneira como o diretor colocou emoção e comédia no mesmo filme.
Concordo com Wim Wenders, o ser humano precisa de histórias. A história nos dá conforto, a história nos dá sentido! Mas, a história, não se conta somente no enredo. “Há mais verdade na forma do que na história” como diz de maneira arrasadoramente crítica Slavoj Zizek (http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1645148-17665-314,00.html).
Num momento de percepção de um cinema cheio de imagens óbvias, estes três filmes foram uma grata surpresa! E em todos eles a neve, silenciosa, conta sua história...

sábado, 18 de dezembro de 2010




Jonathas de Andrade
Educação para adultos – Bienal de São Paulo, 2010

O trabalho baseia-se numa série de cartazes realizados segundo o método de alfabetização de Paulo Freire, para o qual desenvolveram-se cartazes para a alfabetização de adultos. O artista recria este material – utilizado por sua mãe que era professora entre as décadas de 70 e 90, com a ajuda de um grupo de alunas, refazendo os cartazes a partir da escolha de novas palavras e da escolha e produção de novas imagens. Os cartazes assemelham-se portanto aos livros utilizados para alfabetização, também em idiomas estrangeiros, nos quais palavras são apresentadas abaixo de imagens.
Os cartazes realizados para este trabalho apresentam também uma imagem fotográfica associada a uma palavra. Nas antigas cartilhas, a imagem era mera ilustração da palavra. A imagem era mimese da coisa e a palavra atributo da coisa. Tal era o entendimento desta relação na tradição clássica.
Esse “sistema” de relação entre palavra e imagem é referenciado, mas também subvertido pelo trabalho de Jonathas. Se algumas imagens podem ser consideradas ilustração da palavra, como é o caso da palavra comida (que exibe um prato cheio de arroz e feijão), há alguns casos em que fica claro que a imagem associada à palavra foi escolhida na medida em que a própria imagem foi localizada a partir de uma relação muito específica.  Algumas imagens foram selecionadas a partir da associação de determinada palavra a uma realidade ou situação específica que pode ser associada mas não traduzida literalmente pela imagem.
Este jogo “subversivo” logo, poético, fica evidente sobretudo no uso da mesma imagem (4 homens tentando carregar um fardo) associada a duas diferentes palavras: UNIÃO e SAQUE.
Para além das questões políticas implícitas na realidade a que o trabalho e suas associações se referem, os cartazes apresentados por Jonathan remetem ao estatuto poético das palavras: palavras possuem sentidos particulares que subvertem significados instituídos. Outro cartaz que deixa evidente a associação da palavra e da imagem a contextos ou realidades específicas é o cartaz da palavra CONCURSO, associada à imagem de uma multidão tentando entrar por uma grade recém aberta. Ou mesmo a palavra BANHO, associada à imagem de um chafariz de praça pública. E a palavra CALÇADA, associada à imagem de trabalhadores uniformizados sentados na calçada, com as costas apoiadas num muro enquanto almoçam.
A calçada e o chafariz explicitam que não é o objeto em si, mas sim a função que o mesmo possui num determinado contexto social a responsável pela escolha associativa.
A função, num contexto específico, pode determinar a escolha num jogo que é, antes de qualquer outra coisa, puro jogo poético.

Para saber mais sobre o trabalho de Jonathan, acesse: 

sábado, 4 de setembro de 2010













  


"No lado avesso, o trabalho se revela. Aqui, as palavras são tímidas, escondidas. Mesmo tímidas, configuram um conjunto verbal significativo que desdobra os sentidos primeiros das palavras. [...] “Eis meu coração”, dar. “Ele te pertence”, pertence a quem o recebe, não a quem o dá. “Ouro de artista é amar bastante” reveste-se de novo sentido: “amor de artista é doação”. E, nesse ponto, também o ouro adquire novo sentido: amor de doação é ouro. Ouro é amor de dádiva."

Trecho do artigo publicado na revista Porto Arte a respeito de duas obras de Leonilson (na imagem acima, Voilá mon coeur de Leonilson).
Para ler na íntegra, acesse minha página no ISSUE:
http://issuu.com/palavraimagem/docs/analuciabeck_leonilson_desdobramentos__portoarte

Ou acesse a versão digitalizada da revista:
http://seer.ufrgs.br/PortoArte/article/viewFile/27926/16535

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Dia desses me deparei com o trabalho da Kumi Yamashita, através de uma dica do meu irmão (confira no endereço ao final desta). Da página OBVIOUS retirei a imagem acima, a que me chamou mais a atenção dentre várias do trabalho da Kumi.
Lembrei-me imediatamente do trabalho do Anish Kapoor. Guardadas as devidas diferenças entre ambos, algo em ambos é evidente: trata-se de trabalhos que mobilizam - ou melhor - desestabilizam nossas "certezas".
Sempre acreditei que um bom trabalho de arte faz isto - mesmo quando o faz de maneira absolutamente singela como Kumi faz aqui. Um bom trabalho de arte nos faz repensar o que julgamos que sabemos. Ou, pelo menos, nos lembra do quanto podemos ser enganados quando emitimos julgamentos baseados naquilo que julgamos já conhecer.
No trabalho tão singelo - singeleza da simplicidade da forma - me lembrei, mais uma vez que tudo, absolutamente tudo que julgamos saber, que pensamos ou que vemos, pode ser outra coisa. Cada discurso - e formas também são discursos - contém um "avesso". Mesmo quando o avesso é negado, basta jogar um pouco de luz sobre a questão, e os insuspeitos, as vezes até mesmo as oposições, aparecem. Saber o que se diz, saber o que se ouve, saber o que se lê deveria ser, sempre, um saudável exercício de desconfiança de nós mesmos!