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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

It rains by Ana Cristina Cesar

The rain falls.
The roofs are wet,
drops drain through the glazes.
The sky is white,
the time new, 
the city washed.
The afternoon noons down,
without the cicada’s chirruping
without bird’s joyous chants,
without the sun, without the heavens.
It rains.
The rains falls wet
in umbrella’s roofs.
It rains.
The rain falls rapidly,
in our eyes and wets.
The winds blow winded,
in the glazes which sway.
in the plants which unfold.
It rains in deserted beaches,
it rains in the sea which becomes grey,
it rains in the black pavement,
In rains in the hearts.
It rains in each soul,
In each haven it rains.
And when you gazed me in myself,
with eyes following me,
and as the rain felt,
in my heart your eyes’ rain
rained. 





























Translated by Ana Lucia Beck from Ana Cristina Cesar - Poetica, 2013, page 140. Written in November, 1965 and originally published in Ineditos e dispersos, 1985.
For more on Ana Cristina: http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/ana-cristina-cesar-caderno

sábado, 21 de março de 2015

Fagulha - por Ana Cristina Cesar

Abri curiosa
o céu.
assim afastando de leve as cortinas.
eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.

Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.