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sábado, 11 de maio de 2013

William Kentridge explica e entrevista: O que é a Arte? Lição de Desenho número 47


http://www.youtube.com/watch?v=9F1hMqJLaVY

Tradução do áudio: Ana Lúcia Beck, a partir de vídeo postado no youtube.

Esta entrevista para o Escola de Artes Estudio NY, acontece no domingo, 3 de outubro às 9...
9:15, da manhã.
9:05, da manhã. Nós temos 3 minutos, então, por favor, tenha em mente respostas sucintas, objetivas, e que sejam acessíveis ao público em geral que está nos ouvindo. Você pode nos descrever a sua vida enquanto artista? Ou melhor, você poderia nos dizer o que você fez hoje que nos dê uma ideia de como você preenche suas horas entre acordar e ir dormir todos os dias? Você tem como nos falar sobre... sobre....
Ok. Tempo... Há tantas coisas com as quais alguém pode começar... mas o tempo é curto para explicar...
[tapando o microfone:] Ele não está dizendo nada que seja interessante, de jeito algum. Ele não está falando sobre a verdade, ou a beleza, ou sobre a verdade mística que é revelada pelo artista. Ele está falando sobre... maionese; molho tabasco! Vamos falar sobre inspiração! Eu quero dizer, você diria que a sua inspiração vem dos céus enquanto cor...
O quê?
... de uma vaca leiteira? Isto é Hopkins...
Eu sei quem é Hopkins. Eu li tudo o que você leu. E mais.
Certo, aqui está a pergunta. Alguém pode ensinar arte?
Sim.
Não. Eu vou tomar nota aqui: não! Quer dizer, ou você tem a habilidade de fazer arte, ou não. Você concorda?
Não.
Eu vou tomar nota: sim! Quer dizer, o que faz você ter um “click”? Quer dizer, será que conseguiremos ter uma palavra verdadeira de você? Estamos esperando aqui para ouvir a resposta!
Eu vou ultrapassar você, ano após ano!
Tá bem, tá bem... você pode pelo menos nos contar como faz o seu trabalho? Quer dizer, talvez seja como uma imagem que você tem em sua cabeça e essa imagem vem vindo, vem descendo em tua direção? Ou você começa com uma folha branca... você começa com uma folha branca de papel e aí, devagarzinho, você encontra esta mídia intermediária entre você mesmo... você mesmo e o mundo que torna possível que você navegue pelos seus cursos... [frase em suspensão; pausa dramática] Realmente, não há validade alguma. Nada! Fraco, fraco... Eu não sei realmente o que ele está fazendo aqui hoje à noite. Isto conclui nossa entrevista!

domingo, 10 de março de 2013

William Kentridge - Desenho e Compaixão


"Se você passa um ou dois dias desenhando um objeto ou uma imagem, há simpatia com aquele objeto ou pessoa incorporado na ação humana de desenhar. Para mim, há algo na dedicação para com a imagem, [...]. Há alguma coisa com relação às horas que se dedica a estudar fisicamente aquelas cabeças e pinta-las que se torna, para mim, um ato de compaixão; mesmo quando alguém diz que se trata de um desenho de muito sangue frio, ou que estou sendo mórbido e cruel olhando para um desastre ou até que estou usando o sofrimento de alguém  como matéria bruta para o trabalho.
É Exatamente isto que o artista faz, ele usa a dor dos outros como matéria bruta. Ele é  uma espécie de vampiro. Certamente há uma apropriação do infortúnio alheio na atividade de ser um escritor ou um artista. Mas também há algo na atividade de contemplar e retratar a pessoa, de passar o  tempo com ela, que, espero, quando se é artista, nos redime da atividade e ela deixa de ser apenas exploração e abuso."