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quarta-feira, 6 de abril de 2016

a aranha

Ela não era mãe. Seu corpo não conhecera a transformação das entranhas. Aquela súbita energia crescendo dentro de si sem ser sua. Não conhecera as dores do parto na carne. Tão pouco o êxtase da vida saindo de si, da vida cristalizada no olhar de seu filho recém-nascido. Ainda assim, pensava que não era difícil entender a aranha. A metáfora da aranha desenhada pela artista. A cada semana, às vezes até mesmo a cada três ou quarto dias, era relembrada sobre o sentido da dedicação que a artista atribuía à mãe tanto quanto à aranha. Ao passar dos dias na pequena casa que escolhera como lar após ter desistido de tudo que era seu meu até então. A cada retorno a pequena casa que cabia perfeitamente dentro de si própria. Pequena casa não mais sua nem menos do mundo do que cada outro quarto de hotel qualquer. A cada tentativa de limpeza, lhe marcava imperiosamente a dedicação das aranhas. Não que sequer reconhecesse a mesma dedicação em sua própria mãe, mas a cada semana, independentemente da vassoura ou da escova, do pano de chão ou do vinagre, em cada canto, em cada dobra do espaço, em cada esquecimento do dia a dia, lá estavam as teias novamente. As teias tecidas na dedicação constante, incansável de um fazer que instalava a cada dia o dia a dia ignorando a cada tentativa do que, ou de quem quer que fosse a retirá-las do lugar onde haviam se instalado. A dedicação era a constância. A dedicação era um viver que se construía em um fazer eterno. Um fazer contrário a todas as probabilidades. Um fazer além do todas as ameaças, de todo alijamento de seu direito de ser diligente. 

Louise Bourgeois, Spider, from the illustrated book, He Disappeared into Complete Silence, second edition. 2001–02. Seven of 17 evolving versions and states, plates. © 2013 Louise Bourgeois Trust. MOMA catalogue.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

To admit love is to conquer a fear. 
- Louise Bourgeois


















Louise Bourgeois photographed by Mathias Johansson in 1998.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Todas as linhas de Louise (Louise Bourgeois - Works on paper).












todas as marcas na tua pele
rastros de tuas dores
feito  linhas 
do tempo passado.


Esta série fotográfica se concentra nos detalhes dos desenhos executados por Louise Bourgeois no anos finais de sua vida. Sobretudo, trata-se de enxergar a composição, o caráter, o perfil, vida e morte de suas linhas. Os detalhes são de obras apresentadas na exposição "Louise Bourgeois - Works on Paper" com curadoria de Ann Coxon, em cartaz na Tate Modern entre junho de 2014 e abril de 2015. Para maiores infomações, acesse: http://www.tate.org.uk/whats-on/tate-modern/display/louise-bourgeois-works-on-paper

sábado, 26 de outubro de 2013

Paisagens do silêncio em Leonilson e Louise Bourgeois






















"Ouvir a pedra, ouvir o traço mesmo do lápis sobre o papel, coloca em perspectiva que o artista precisa, em alguns momentos, calar-se. Se é conversação o que a artista busca estabelecer em termos de relação com o material; então esta conversa é realizada na medida em que tece falas e escutas, afirmações e silêncios. A paisagem de silêncios de Louise evoca, por um lado, a impossibilidade de todos nós de comunicarmos verbalmente o inconsciente e os desejos. Mas, por outro lado, evoca a presença do silêncio na fala. O que a princípio pode parecer uma falha, um problema – a impossibilidade de comunicar – rasga o tempo da afirmação autoral ao abrir espaço para a escuta. A potência da escuta, na falência da língua, torna-se marca gravada na pedra."

Comunicação apresentada no II Colóquio Literatura e Paisagem e II Colóquio Internacional Interdisciplinar Literatura, Viagens e Turismo Cultural no Brasil, na França e em Portugal, ocorrido no Rio de Janeiro em Outubro de 2013. Para ler na íntegra, acesse:

http://issuu.com/palavraimagem/docs/ana_lucia_beck_paisagens_do_sil__nc

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Louise Bourgeois - She lost it


She lost it, obra de performance de Louise Bourgeois realizada em 1992, a partir de uma parábola escrita pela artista em 1947. Durante a performance, atores vestidos com roupas feitas por Louise, desenrolavam-se e enrolavam-se novamente em um pedaço de tecido com frases da parábola impressas. Concomitantemente, foi realizada a leitura da obra "Daddy" de Sylvia Plath.