Ela não era mãe.
Seu corpo não conhecera a transformação das entranhas. Aquela súbita energia
crescendo dentro de si sem ser sua. Não conhecera as dores do parto na carne. Tão
pouco o êxtase da vida saindo de si, da vida cristalizada no olhar de seu filho
recém-nascido. Ainda assim, pensava que não era difícil entender a aranha. A metáfora
da aranha desenhada pela artista. A cada semana, às vezes até mesmo a cada três
ou quarto dias, era relembrada sobre o sentido da dedicação que a artista
atribuía à mãe tanto quanto à aranha. Ao passar dos dias na pequena casa que escolhera
como lar após ter desistido de tudo que era seu meu até então. A cada retorno a
pequena casa que cabia perfeitamente dentro de si própria. Pequena casa não
mais sua nem menos do mundo do que cada outro quarto de hotel qualquer. A cada tentativa
de limpeza, lhe marcava imperiosamente a dedicação das aranhas. Não que sequer reconhecesse a mesma dedicação em sua própria mãe, mas a cada semana, independentemente da
vassoura ou da escova, do pano de chão ou do vinagre, em cada canto, em cada
dobra do espaço, em cada esquecimento do dia a dia, lá estavam as
teias novamente. As teias tecidas na dedicação constante, incansável de um fazer que instalava a cada dia o dia a dia ignorando a cada tentativa do que, ou de quem
quer que fosse a retirá-las do lugar onde haviam se instalado. A dedicação era
a constância. A dedicação era um viver que se construía em um fazer eterno. Um
fazer contrário a todas as probabilidades. Um fazer além do todas as ameaças,
de todo alijamento de seu direito de ser diligente.
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quarta-feira, 6 de abril de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
domingo, 3 de maio de 2015
heart paths creating paths - creation landscapes in José Leonilson and Louise Bourgeois
http://issuu.com/palavraimagem/docs/heart_paths_creating_paths_ana_luci
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sexta-feira, 10 de abril de 2015
Todas as linhas de Louise (Louise Bourgeois - Works on paper).
todas as marcas na tua pele
rastros de tuas dores
feito linhas
do tempo passado.
Esta série fotográfica se concentra nos detalhes dos desenhos executados por Louise Bourgeois no anos finais de sua vida. Sobretudo, trata-se de enxergar a composição, o caráter, o perfil, vida e morte de suas linhas. Os detalhes são de obras apresentadas na exposição "Louise Bourgeois - Works on Paper" com curadoria de Ann Coxon, em cartaz na Tate Modern entre junho de 2014 e abril de 2015. Para maiores infomações, acesse: http://www.tate.org.uk/whats-on/tate-modern/display/louise-bourgeois-works-on-paper
terça-feira, 24 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
sábado, 26 de outubro de 2013
Paisagens do silêncio em Leonilson e Louise Bourgeois
"Ouvir a pedra, ouvir o traço mesmo do lápis sobre o papel, coloca em perspectiva que o artista precisa, em alguns momentos, calar-se. Se é conversação o que a artista busca estabelecer em termos de relação com o material; então esta conversa é realizada na medida em que tece falas e escutas, afirmações e silêncios. A paisagem de silêncios de Louise evoca, por um lado, a impossibilidade de todos nós de comunicarmos verbalmente o inconsciente e os desejos. Mas, por outro lado, evoca a presença do silêncio na fala. O que a princípio pode parecer uma falha, um problema – a impossibilidade de comunicar – rasga o tempo da afirmação autoral ao abrir espaço para a escuta. A potência da escuta, na falência da língua, torna-se marca gravada na pedra."
Comunicação apresentada no II Colóquio Literatura e Paisagem e II Colóquio Internacional Interdisciplinar Literatura, Viagens e Turismo Cultural no Brasil, na França e em Portugal, ocorrido no Rio de Janeiro em Outubro de 2013. Para ler na íntegra, acesse:
http://issuu.com/palavraimagem/docs/ana_lucia_beck_paisagens_do_sil__nc
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
Louise Bourgeois - She lost it
She lost it, obra de performance de Louise Bourgeois realizada em 1992, a partir de uma parábola escrita pela artista em 1947. Durante a performance, atores vestidos com roupas feitas por Louise, desenrolavam-se e enrolavam-se novamente em um pedaço de tecido com frases da parábola impressas. Concomitantemente, foi realizada a leitura da obra "Daddy" de Sylvia Plath.
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