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sábado, 9 de março de 2019

dos passados que não foram


You and I

Você e eu
andando lado a lado
pelas ruas da cidade
Vestias branco
eu também
calças curtas e camiseta
saia e blusa eu
Tuas espaldas tão belas
sempre planas
sempre próximas
e meu desejo de repetir teu toque
aproximando-me de ti
com polegar e indicador
a recolher a pouca distância que entre elas ainda havia
tua pele tão macia
por baixo do pano senti
com tua excessiva magreza,
preocupei-me
Tu alma já curada
permitira que me recebesses em tua casa
mas teu ego ainda ferido
– referida –
mantinha distância formal entre nós
lonjuras do cotidiano e dos amigos
distâncias de sábado à noite
insistência em deixar fora
quem se quer bem
pois toda mágoa que não vem do coração
parece desejar
essa distância na qual os olhos ainda veem
e o coração ainda sente
E eu me perguntava
porque diabos calçavas terríveis crocs azul bebê
– a relação mais completa e adulta que tive, afirmei à terapeuta
ao tentar entender porque criticara a parede azul...
E eu? Estava descalça?
Não recordo
acordo
lembrando da escrivaninha bagunçada
na qual não soube como colocar de volta
organizadamente
cartinhas para o Papai Noel
e envelopes bancários com cartões de crédito
quisera verificar o endereço
como se possível fosse roubar o futuro...

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

magnolia grandiflora

há um rastro
de teu desejo
em meu cheiro
um traço
do teu toque em meus cabelos
uma marca
indelével no travesseiro
há,
sobretudo,
um encontro que me acalma
- me lava a alma –
feito o aroma
magnólia grandiflora
do ruídos das cigarras
nestas quentes
úmidas
noites tardias de primavera


sábado, 1 de abril de 2017






















Oh yes that little bee
would dive into my very sweet caipirinha
home made sugar cane liquor and all
– as much as others in little expresso cups –
with the same insistence
the exact same resilience and fate
always again 
and again
regardless of its contents
or of the failure carved in each attempt

In every single one of these
whilst I watched the coming back and forth waves
in anything slightly smelling like love
effortlessly shining like gold
even in every gray variation
which could not really be perceived
as either sea or sky
I would dive as well

I would have to however say
that at one sip
amidst changing growing tall waves
and children running
and grownups being brave and charming amidst the snow
– I mean the sand –
that I found it dead
very dead

sink
in my only sweet treat
my very own forgotten dreams

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

sábado, 26 de novembro de 2016

richmond

que possa ser sempre assim
que sendo eterno enquanto dure
seja doce na despedida
as sweet and sour as your absence
na dor da partida
intense as your unsuspected taste
recheado das luzes à beira do rio
in its infinite borders

its never ending sights...

sábado, 1 de outubro de 2016

One Box at a time

Maybe she had been unconsciously postponing opening remaining boxes, strangely enough mostly crystal and cd boxes. Boxes with precious golden things and mementos from foreign far away beaches; little glasses with sand, other slightly bigger with tiny sea shells and rocks. Those she might have still kept from the first time her mother had been in a far away beach with amazing voluptuous shells in tortuous designs from a beach near a convent, from the place where, she was told, that delicious chocolate was made. Those boxes with crystal glasses in all distinct sizes which had been part of her deceased aunt’s duvet. The aunt she never knew, the aunt never to be married, the aunt who for her as a child simply meant that huge crystal glasses collection preciously kept in a glass doors wardrobe at her grandparents antique house. Days of that week went by with some of those boxes being opened to salvage the green colored glasses she cherished so much.  And it took her days opening, rearranging and closing again boxes to realise that keeping such boxes closed for so long could mean she had not yet reached her place to be. As if it could mean, and show her every time her glance hit a shelf that she was still on the move, was still going ahead, had still other things and places to achieve. As if opening any of those boxes meant acknowledging that possibly nothing which really mattered would ever really change. And she was bound to be forever more or less where she started, minus some crystal handles broken along the way. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

The rain the land the sea

há dias em que adias tudo
days when one should only 
listen to the day itself
being that very day
this very one?

then a day would simply be
all the rains drops resting on grass and leaves 
the variety of spider's nets on trees and wees
the blooming of small pink flowers
that of tall redish ones
the rounded yellows
the surface of brown and green lawn tapestry
or even the aroma of orange trees

those days coul have been
the days Gaston loved so much
days for reading he would say
for to listen to anima
would also suspend itself
on letting all be
on letting the reading be
being only here and in all the other places which seized to be
no more. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

havia uma lágrima em cada estrela
e uma marca amarelada
na gola da pele de quem amara.

Havia um soluço no avesso de cada sorriso
uma carícia em cada ruga
e em outros tantos beijos
marcada uma súplica estava
pois no avesso de cada renúncia
uma dádiva brotara.

em outros dias
em tantos outros abraços
num brilho do beijo da morte
aprendia como amava...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

a aranha

Ela não era mãe. Seu corpo não conhecera a transformação das entranhas. Aquela súbita energia crescendo dentro de si sem ser sua. Não conhecera as dores do parto na carne. Tão pouco o êxtase da vida saindo de si, da vida cristalizada no olhar de seu filho recém-nascido. Ainda assim, pensava que não era difícil entender a aranha. A metáfora da aranha desenhada pela artista. A cada semana, às vezes até mesmo a cada três ou quarto dias, era relembrada sobre o sentido da dedicação que a artista atribuía à mãe tanto quanto à aranha. Ao passar dos dias na pequena casa que escolhera como lar após ter desistido de tudo que era seu meu até então. A cada retorno a pequena casa que cabia perfeitamente dentro de si própria. Pequena casa não mais sua nem menos do mundo do que cada outro quarto de hotel qualquer. A cada tentativa de limpeza, lhe marcava imperiosamente a dedicação das aranhas. Não que sequer reconhecesse a mesma dedicação em sua própria mãe, mas a cada semana, independentemente da vassoura ou da escova, do pano de chão ou do vinagre, em cada canto, em cada dobra do espaço, em cada esquecimento do dia a dia, lá estavam as teias novamente. As teias tecidas na dedicação constante, incansável de um fazer que instalava a cada dia o dia a dia ignorando a cada tentativa do que, ou de quem quer que fosse a retirá-las do lugar onde haviam se instalado. A dedicação era a constância. A dedicação era um viver que se construía em um fazer eterno. Um fazer contrário a todas as probabilidades. Um fazer além do todas as ameaças, de todo alijamento de seu direito de ser diligente. 

Louise Bourgeois, Spider, from the illustrated book, He Disappeared into Complete Silence, second edition. 2001–02. Seven of 17 evolving versions and states, plates. © 2013 Louise Bourgeois Trust. MOMA catalogue.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

sim, eu usava 
paulo leminski
para segurar ana cristina
tentando antever
a tradução possível
nas imagens de outro idioma
para as imagens dos teus.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Longing and belonging

Why is that 
the skin feels at home
lying on your smells warmth 
and why the soul 
seems to slowly recognise 
a place to be?

Why is it that your wounds inspire understanding 
and your desire 
my own realisation 
and why so much belonging 
in so much I never knew of longing 

Why is that love
all of a sudden
is not any burden 
and suddenly reality 
became greater 
than all previous idealisation?

and why oh, Why,
are there any more answers for such whys...

sábado, 29 de agosto de 2015

naquele grande livro preto...

desapego                                               
                        pegadas
marcas na areia levam para o mar
pego teu músculo
seguro meu desejo
tudo deságua
através de meus olhos

se o corpo pudesse ser metáfora do desejo que vaga na alma, o amor iluminado pela luz dos teus olhos, absoluto em tal profundidade – incomensurável – que não se traduz em palavras, faz com que até o dedinho do meu pé
te deseje
faz com que cada fio de meu cabelo queira estar banhado em teu cheiro, sentir o avesso de minha carne é tocar tua pele devagar. como se nossos segredos estivessem escondidos naquele leve relevo do teu peito ou na curva da tua orelha. como se meus lábios pudessem ser a benção de minha alma derramo minha alma sobre tua testa devagar...

viver me incomodava tanto que a possibilidade da morte eminente daquela relação – morte de ameaça proporcional à importância que para mim assumia – fazia dela meu vício, meu alento... a sensação de que a vida a seu lado era plena talvez viesse da ideia de que a morte nos rondava permanentemente; como se só houvesse possibilidade de vida plena e absoluta onde morte houvesse. meu devaneio era movimentar-me constantemente – sem um segundo de descanso sequer – entre uma e outra.
era transformar meu cotidiano na afirmação reiterada de minha própria existência. existência que não reconhecia em minha capacidade de respirar – no lento e constante movimento de meu peito – mas na constante alteridade de um universo constituído por opostos – a vida e a morte – e a febre que tal movimento provocava expunha meu próprio delírio. delírio de que fosse tão grande quanto ambas e não apenas uma pequena partícula de cada uma delas.
talvez, parte do desespero, da confusão, fosse resultado da percepção do quanto te desejava e de que tal amor não fosse predestinação. eu já não podia mais assinar embaixo de meus beijos – ainda que a cada dia desejasse beijar-te mais – e a dor profunda que sentia era a dor de meu próprio reverso, era tua dor – dor de alma aprisionada – pois me sabia incapaz de apenas segurar tua mão.
no tortuoso processo de tentar entender o que comigo acontecia, um dia percebi que quanto mais me afastava de ti, mais te reconhecia em mim mesma... e a ausência de predestinação confrontou-me com o fato de que não havia segurança alguma em meu próprio querer (eu que sempre tivera tanta certeza)...

nada era preciso
                                                  além do silêncio
                                                 para contar-te
meus segredos 

domingo, 21 de junho de 2015

she soon came to realize
that each time she cried
- for a lost lover, so she thought
it had simply been her own soul
acknowledging that
she still wasn't free
for that was a lack of courage
to simply be me
for letting life be
something she somehow could forsee...

quinta-feira, 14 de maio de 2015

e também poderia ter sido no dia em que Léo casou...

Aquilo tudo parecia muito inusitado e pretensioso. Cheirava a comida requentada. Sua cabeça, sua cabeça doía muito. As pílulas... será que as pílulas fariam efeito? Olhou-se no espelho, seu rosto nunca fora tão belo. Parecia que estava de porre ha três dias. Os cabelos caiam pesados em frente a seus olhos. Deixou-se cair, os olhos doíam. Dormiu sobre as folhas do manuscrito. Esse, onde estas linhas estão escritas.

O adeus nunca fora autêntico, era faz de conta, como a brincadeira de contar histórias para seu amado adormecido. Era como a melancolia do desejo e das lágrimas desmaterializadas. Um grande jogo esperando pela próxima jogada. Apenas em seus pensamentos ela era ensaiada. O medo do sofrimento, do sangue e da imaginação; seu amigo e o amante em tesão, desmaterializava-se pouco a pouco. Pouco a pouco seu corpo apodrecia, o útero escorria, e os peitos murchavam. Naquela idade já estava cega e lia as palavras. Uma jovem lhe contara sua história de outra encarnação. A sina de poder apenas escrever sua própria história era o preço do manuscrito. O desespero que fazia a mão deslizar pelo papel, o preço da capa de couro com letras douradas. O sono de menino velado pela mãe sempre estivera distante. Nos seus braços era apenas tremor, terror, pesadelos e decepção. Era o umbigo de laranja estéril. Nas folhas que não pertenciam ao manuscrito escreveu – recopiou. Pois todas as outras palavras jaziam perdidas. As palavras, as palavras que nunca são ditas, mas que são a única verdade plausível dão medo, amedrontam e são serenas. Já podia deixa-las flutuar sem sentir dor. O verbo, afinal não existia, tampouco sonhos. Apenas a fria, por vezes requentada realidade do dia a dia. A falta de espaço, espaço infinito dentro de nós. Palavras que não se sustentavam sozinhas, que pediam a confirmação do olhar, do corpo e do resto de lembranças e desejo adormecido. A sopa esfria na mesa de jantar. Só são corajosas porque não pedem nem dão explicação. Única coisa viva além da soleira da porta. A porta era uma brincadeira de criança. Era o medo do portão. Do lado de fora. Era apenas desconcertante ilusão. Por baixo dela chegavam palavras, chegavam sussurros, mas não se encontravam os corpos. No final de todas as linhas a palavra era – adeus. 

terça-feira, 10 de março de 2015

a porta


Aquela porta abriu um mundo
porta que era muito mais do que uma porta
muito além de bege, laminada tábua de madeira...

A porta
não separava minha privacidade da tua
ela nos privava do mundo,
da cidade
da verdade.

A porta ali estava
inerte
calada
dividindo em dois
o silêncio estrondoso que vinha do outro lado
separando tuas mágoas mais profundas
de teu sofrimento incansavelmente negado.

Atrás da porta
uma estrela morreu
e a porta me deixou sem endereço
mas me ensinou:
moro no coração do mundo.

Atrás da porta dançavam
um segundo e um século inteiros
adentrando feito vento
teu triste perdido olhar
tua incredulidade
(medo de ser amado?)

A porta nos escancarou todos os nossos medos
nossos segredos mais mesquinhos
e todo desamor que persiste na dor que resiste.

A porta desde sempre soubera
quem éramos
quem seríamos
e me abriu por inteira
quando a abri.

A porta me virou pelo avesso
no avesso do avesso de minha pele
carne exposta
resposta para perguntas que nunca fizera.

E a força
- força que não é necessária para uma porta abrir,
minha não era.
A porta simplesmente abriu-se
tal flor que desabrocha derramando seu perfume sem pedir licença
inundando com seu aroma a tarde inteira
a vida inteira contida naquele abraço
(sim, o brilho do sol inundando teu quarto confundia-se com o perfume e o toque em meus cabelos, e aninhar-me fez-te sentir em casa e completamente grato).

A porta
simplesmente confirmou
que nenhum benefício se encontra em fugir da vida
que nenhuma garantia existe
onde feridas não sangram
e cama nenhuma
por mais cara, macia ou merecida
conforta a alma.

A porta
era o fiel do mundo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

isso que a vida não era
era o que a vida era dentro de mim
morrer como indigente
com todas as glórias da impermanência

diluir os medos
todos eles
na luz dos dias

deixa a escrita do outro
se esconder em tua escuta
a escuta do outro em tua fala

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Love story

He was my first Kiss, completely took my breathe away, I might have hurt him. He invited me for a sleep over. He showed me there was power in being a woman, but I completely forgot about it. 
He showed me I could be jealous. He thought we were going to marry the minute we first kiss. We made a trip to the sea. 
He was my boyfriend, so I thought, but not he. We split, he hated me. He looked for me 20 years later.
And he.
The only thing of notice is that he reminds me I once had sex in a car for the first time. We have never really been together, but many people thought we were lovers. He was in my life for too long. I must have been sick. Oh God, the day after his back looked as if he had been run over by a bulldozer.
And he?
We had absolutely nothing in common. I must have been desperately needy. I thought he was handsome, he looked like a prince. He was a complete jerk. I met him at a party. He had an old man’s car. I felt immediately driven by him. I run into his arms the minute I saw him in the street. He was so, so handsome. But he didn’t like watches and I didn’t like shoes.
He?
He is a true friend. Talk about friendship and sex between a man and a woman. He drives me crazy in many ways but sometimes I think he is the only one who truly respects me. We have known each other for so, so long. 
He was my boyfriend. I didn’t really like him. He was the other guy’s guy, but we fucked.
And he.
He introduced me to his father. His father loved my eyes. He made me fall in love all over again. He simply left me. And I forgot everything about it.
He was a musician and had truly black eyes. He had red hair. Doucement, I told him! He was so found of himself. He never really respected me.
He taught me I deserved to be respected. Those wore the most unbelievable 18 hours of my life.
And I run away from him.
He was the great passion in my life. He called me “little beautiful girl” and I wished I had known how to love.
He was the first man to ever make me wish I'd be sleeping as someone made love to me. He was a terrible person… where was I? He didn’t understand any real subject I would talk about. He made me feel completely free, a true amazon, but I couldn’t stand the sound of his voice.
He was just a really old guy. He was going to marry somebody else. He made me think that love could be a tree. I thought he was the one I dreamed about when I was a teenager. He was not.
And he looked for me after so many years. He sad my skin was just the same as twenty years before. He felt lonely, he felt abandoned, I felt overwhelmed. We split.
He thought me about the ways men try to have control over a woman.
He was my first man, my true love, he told me we were going to marry, have a house and children may be. No one has ever made me change dreams for reality like him, but he truly broke my heart; he left without looking into my eyes.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

G.H. 1

Uma parte de mim se recusava a voltar. Se não recusava, pelo menos não desejava a volta. A volta já não era mais apenas volta para casa, ou sua casa já não era mais exatamente seu lugar. Condensados na casa, incrustados no tempo feito o mofo nas paredes estavam velhos hábitos. Condensadas formas de perceber, reagir e interagir com o mundo. Na casa, era toda enraizada – perdera o gosto da linha de horizonte, da perspectiva ampla. A casa era sólida, era sua. No papel. Com o passar do tempo e a soma das viagens, modificava-se o voltar. No começo, era voltar para seu lugar, para seus modos, jeitos, comidas, horários, confortos. Voltar a casa era voltar a seu eu. Talvez o que já não desejasse era voltar a esse eu que parecia tão antigo quanto o tempo. O que no começo era sua zona de conforto aos poucos começava a torna-se zona de recusa, zona de afastamento. Preferia até estar no desconforto emocional de outros lugares, por mais que esses também necessitassem emergir de décadas de águas passadas, choros honestos e lágrimas mesquinhas. Encontrava-se em um lugar onde sentia que já não era mais, e ainda não sabia o que era, ou o que seria. Era antes das eras, feito G.H.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Os lugares por onde ando hoje mapeados já estão 
num desenho realizado por ti. 
Tantos caminhos para mim encurtaste com teu percurso, tantas distâncias se aproximam, 
tantos sólidos diluem-se em fluidez. 
Todos os rios do mundo, 
todas as ruas da cidade, 
todos os meandros de um coração.

Detalhe da obra "Das estrelas e de seus olhos" executada por Leonilson em 1991.