domingo, 20 de junho de 2010



toda obra é metáfora
toda poesia é verdade
toda verdade
é ficção

quinta-feira, 17 de junho de 2010



Dias de chuva
dias em que adias tudo...
febre criativa,
meu relógio pediu demissão

sábado, 12 de junho de 2010



Ficam certos cheiros nas mãos
Certas dúvidas no coração
Certas marcas no colchão
Certos caracóis nas idéias...

Fica um gosto de vida no ar
E um resto de sono
Que nunca dorme...
Um resto de sonho
Do qual não se lembra ao certo

Uma certa insenzatez...
E resquícios de timidez
– não te entregues ainda. Disse-me ele,
estamos esperando a hora de quê?

Madrugada não tem hora
Entrega não espera final de semana
Amor não conhece idade
Nem experiência de vida...

Sigo nadando na correnteza!

sexta-feira, 4 de junho de 2010















profundamente absorta
imersa em si mesma
contemplava o mundo ao redor

intuia
realidades paralelas
que não lhe pertenciam...

ou pertenciam?
pois que as vezes vivemos
nas margens do próprio desejo...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Recortes da Moleskine I


As vezes, visitar um museu é uma experiência que se confronta com nossa aprendizagem de anos sobre a arte ou sobre um artista. O resultado, neste caso, nem sempre é o que esperamos.

O Museu de Picasso foi um tanto quanto decepcionante. Eu esperava por algo à altura do nome. Mas desconfio que existem milhares de “Museus Picasso” por aí... Desse jeito, obviamente, fica difícil ter um acervo que dê conta de mostrar de maneira mais apurada o que foi o conjunto de sua obra.
Há lacunas absurdas, como, por exemplo, nenhuma obra significativa do Cubismo, tanto sintético quanto analítico. Ainda assim, gostei muito de ver algumas coisas. A pintura que ele fez aos quinze anos e que lhe deu sua primeira premiação, creio que se chama “Primeira Comunhão”; certinha academicamente, e só.
A pintura que lhe deu um segundo prêmio, se não me falha a memória chamada "Ciência e Caridade" – de grandes dimensões – realismo social segundo o curador, é péssima. É terrível! Totalmente apelativa, correta academicamente, porém sem qualquer apuro técnico. Picasso pinta como alguém que não entende a “técnica”, usa cores sujas, feias mesmo. Aliás, realmente, em termos de uso da cor, Picasso aprendeu muito pouco nesta vida.
Mas gostei muito de ver as pinturas que fez de estudos para a realização das Meninas (relendo Velazquez). Uma quantidade enorme de pinturas que estudam a analisam mais de uma vez cada um dos “quadrantes” da pintura original. E, para cada estudo, elabora uma solução diferente. Às vezes me pergunto o que exatamente Picasso estava vendo na pintura original. Pois parece ver muito mais do que parece haver para ver. Ao final, dos vários estudos feitos em cor, ele compõe uma grande pintura em preto e branco que parece ser uma montagem, uma composição das várias possibilidades antes pesquisadas e elaboradas.
Também gostei muito de ver umas pinturas feitas na década de 50, do terraço e das pombas que ali criava na casa em que morava. Tanto pelas variações na composição como pelo uso das cores que aqui me agradaram.
Nestas últimas pinturas, curiosamente, Picasso parece render-se a Matisse...

domingo, 2 de maio de 2010


Não precisa amor 
para sexo
Não precisa para sempre 
pra ter filho
Mas um pouco de poesia 
sempre cabe no dia a dia

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Dia desses me deparei com o trabalho da Kumi Yamashita, através de uma dica do meu irmão (confira no endereço ao final desta). Da página OBVIOUS retirei a imagem acima, a que me chamou mais a atenção dentre várias do trabalho da Kumi.
Lembrei-me imediatamente do trabalho do Anish Kapoor. Guardadas as devidas diferenças entre ambos, algo em ambos é evidente: trata-se de trabalhos que mobilizam - ou melhor - desestabilizam nossas "certezas".
Sempre acreditei que um bom trabalho de arte faz isto - mesmo quando o faz de maneira absolutamente singela como Kumi faz aqui. Um bom trabalho de arte nos faz repensar o que julgamos que sabemos. Ou, pelo menos, nos lembra do quanto podemos ser enganados quando emitimos julgamentos baseados naquilo que julgamos já conhecer.
No trabalho tão singelo - singeleza da simplicidade da forma - me lembrei, mais uma vez que tudo, absolutamente tudo que julgamos saber, que pensamos ou que vemos, pode ser outra coisa. Cada discurso - e formas também são discursos - contém um "avesso". Mesmo quando o avesso é negado, basta jogar um pouco de luz sobre a questão, e os insuspeitos, as vezes até mesmo as oposições, aparecem. Saber o que se diz, saber o que se ouve, saber o que se lê deveria ser, sempre, um saudável exercício de desconfiança de nós mesmos!

terça-feira, 13 de abril de 2010



Um dia,
Subindo a Santo Antônio,
me dei conta
de que há uma relação direta
entre desistir e morrer.
Como se o corpo acumulasse, ao longo do tempo
as muitas experiências de desistência
– desistência porque não aceitação –
de uma vida.
E um dia,
o corpo cansado de tanta desistência, 
desiste!