"Ouvir a pedra, ouvir o traço mesmo do lápis sobre o papel,
coloca em perspectiva que o artista precisa, em alguns momentos, calar-se. Se é
conversação o que a artista busca estabelecer em termos de
relação com o material; então esta conversa é realizada na medida
em que tece falas e escutas, afirmações e silêncios. A paisagem de silêncios de
Louise evoca, por um lado, a impossibilidade de todos nós de comunicarmos
verbalmente o inconsciente e os desejos. Mas, por outro lado, evoca a presença
do silêncio na fala. O que a princípio pode parecer uma falha, um problema – a
impossibilidade de comunicar – rasga o tempo da afirmação autoral ao abrir
espaço para a escuta. A potência da escuta, na falência da língua, torna-se marca
gravada na pedra."
Comunicação apresentada no II Colóquio Literatura e
Paisagem e II Colóquio Internacional Interdisciplinar Literatura, Viagens e Turismo Cultural no Brasil, na França e em Portugal, ocorrido no Rio de Janeiro em Outubro de 2013. Para ler na íntegra, acesse:
http://issuu.com/palavraimagem/docs/ana_lucia_beck_paisagens_do_sil__nc