terça-feira, 18 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
azul
era tão fácil perder o momento
fácil perder a inspiração
de um dia que se tornara lugar de folhas de palmeiras
varrendo o chão
cidade vazia
com sabor de despedida
e vento com aroma de chuva
e gosto de liberdade
de um calor que amolecera o asfalto tanto quanto ela
the big
blue
the big
blue era a mancha de cor
que aos poucos perdia a transparência
mancha de sutil escuridão
na qual desapareciam as linhas que a guiavam
mancha de azul que divisava
a cada virada
num universo recortado por todos os azuis
do mesmo azul
universo quente e controlado
da piscina
desculpe-me Maurice,
mas perceber é estar dentro d’água
mergulhada em camadas de imagens
com pontos de fuga distintos
lugares sobrepostos, justapostos,
locais de inversão
o ar que saia pela boca
eram estrelas em ascensão
ele teria dito, estrelas cadentes
outro diria os pingos frios da chuva
ou a imensa liberdade da piscina olímpica inteira para si
perdera a maior parte dos melhores pensamentos
agora que precisava de alguma maneira pensar no que fazer
deslocar-se não era mais apenas seguir uma direção
talvez fosse tomar alguma decisão
que juntasse as peças do quebra-cabeças dos ladrilhos
que não existiam no fundo do mar
no fundo esverdeado sem fundo
da borda irregular, oscilante do mundo.
domingo, 26 de janeiro de 2014
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Aquele dia de faxina
Aquele
dia de faxina não foi um dia, foram décadas. Foram semanas a semanas de aulas
preparadas, de textos lidos, relidos, anotados, fotocopiados, grifados,
digeridos, comentados. Aquelas pilhas, mais pilhas e ainda outras pilhas de
papéis. De perguntas, respostas, interrogações e refrações. Foram idos, vindos,
passados seus e de mais alguém. Foram dias escaldantes, refrescantes. Todo aquele
pó lhe varria lembranças. E a ansiedade de futuro lhe enchia braços e pernas –
jugular – de energia. Buscar, separar, retirar, entregar pro lixeiro, pra vida.
Havia urgência no sentido que as caixas e sacos tomavam. Decidiu num ímpeto
suave que lhe veio que era necessário, que a hora era agora. Decidiu sem
pestanejar, sem hesitar. Decidiu decidindo não lembrar, não revisar, apenas
desfazer-se. Desfazer-se de tanta coisa que acumulava pó, exigia espaço,
demandava tempo. Tanto peso morto. Aquele dia foram semanas de preparação, de
abertura, de doçura. Respirava imensamente com cada caixa vazia, cada lembrança
pra sempre sepultada, guardada apenas dentro de si mesma. Decidiu não protelar
mais o futuro, não deixar pra lá os planos, os sonhos menos evidentes. Aqueles que
não tem endereço certo, que não tem lugar definido, aqueles que somente são
paisagem da alma. Mas foram dias e horas cerimoniosas, luminosas. Havia algo
grave e doce na entrega do que havia recebido. Do que já havia conhecido. A reciclagem
era sua, não era de papéis, livros, cds, revistas, roupas, caixas, caixinhas,
caixões. E quanto mais se ia, mais desejava ir. Mais desejava deixar pra lá. Aquele
dia de faxina, ah aquele dia de faxina. Memorável dia, sem foto, sem registro,
sem papel. Dia de derreter por fora e por dentro. Dia de um desejo imenso de
imensa casa vazia. Desejo de não ter quase o que colocar nas malas fosse pra
onde fosse. Dias de encontrar aqui e ali um desenho esquecido. De tirar do
lugar de honra uma lembrança que não servia mais. De achar aquele teu texto sobre
o silêncio que te importava tanto vinte anos atrás quanto hoje. Silêncios
cheios de música de faxina: histórica, mental, emocional. Dias de morte de
roseiras. Semanas escaldantes de jasmim em botão.
sábado, 18 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
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