domingo, 10 de março de 2013

William Kentridge - Desenho e Compaixão


"Se você passa um ou dois dias desenhando um objeto ou uma imagem, há simpatia com aquele objeto ou pessoa incorporado na ação humana de desenhar. Para mim, há algo na dedicação para com a imagem, [...]. Há alguma coisa com relação às horas que se dedica a estudar fisicamente aquelas cabeças e pinta-las que se torna, para mim, um ato de compaixão; mesmo quando alguém diz que se trata de um desenho de muito sangue frio, ou que estou sendo mórbido e cruel olhando para um desastre ou até que estou usando o sofrimento de alguém  como matéria bruta para o trabalho.
É Exatamente isto que o artista faz, ele usa a dor dos outros como matéria bruta. Ele é  uma espécie de vampiro. Certamente há uma apropriação do infortúnio alheio na atividade de ser um escritor ou um artista. Mas também há algo na atividade de contemplar e retratar a pessoa, de passar o  tempo com ela, que, espero, quando se é artista, nos redime da atividade e ela deixa de ser apenas exploração e abuso."

domingo, 20 de janeiro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Carlos Nogueira - O Lugar das Coisas




não coleciono nada
junto tudo pedras palavras
perguntas e outras histórias

N contou-me de si

(andamentos possíveis)
o linho branco – o lençol onde desenhas
gestos e outras paisagens
ruído (s)
alongamento
silêncio e coisa nehuma
um número de presdigitação
as palavras são como cerejas

abertura ou outro tempo
sucessivamente
ti
( )

N.B.
muitos outonos são passados
e a hist# é outra

[Carlos Nogueira: textos presentes no trabalho Conjunto de mesa e pintura a condizer e outros fragmentos de um discurso sobre o comum e o cotidiano, 1975-1981. EXPOSIÇÃO O Lugar das Coisas, Fundação Calouste Gulbenkian – 2012.]






Para mais sobre Carlos Nogueira, acesse:
http://www.carlosnogueira.com/homept.html

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


adentrara tempo sem tempo
sem passado sem futuro sem espera
sem urgência
tempo sem cheiro, sem peso
adentrara um não lugar
pleno
de vazio
escorria  a nebulosa intergalática sem fim

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

envio-te daqui
esse cheiro de chuva
- es riecht aber so komich -
esse ar de amor
pedra quente
chuva lasciva
gotas de mim

terça-feira, 23 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Dilema - Antonio Cícero

O que muito me confunde
é que no fundo de mim estou eu
e no fundo de mim estou eu.

No fundo
sei que não sou sem fim
e sou feito de um mundo imenso
imerso num universo
que não é feito de mim.

Mas mesmo isso é controverso
se nos versos de um poema
perverso sai o reverso.

Disperso num tal dilema
o certo é reconhecer:
no fundo de mim
sou sem fundo.


Para mais Antonio Cícero:
http://antoniocicero.blogspot.com.br/