quinta-feira, 12 de junho de 2014

my love


if I one day should live you
it would be
just not to see you 
worry
bother 
or cry so much
over my footsteps
my eternal 
fears
marked in dry clay
all over the way.
will there ever be
rain, growth or tears
able to wash it all away?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

o mundo hoje
visto daqui
é um grande vazio
com minúsculas, pequeníssimas
partículas de água
em suspensão
ilusão
a poesia
quase nunca é prática
e o vazio
às vezes é
horizonte


terça-feira, 13 de maio de 2014

teu avesso                                                                     meu horizonte

quarta-feira, 23 de abril de 2014

domingo, 20 de abril de 2014

foi quando percebeu
que sem perceber o momento acontecera
decidira amar esse alguém que amava sem explicação
seu alguém tinha nome, afinal
era o nome que repetira e calara por décadas a fio
amar sem razão
lhe abria os olhos pra profundidade de quem ele era
lhe permitia intuir o que em paz seu coração deixava
por mais contraditório que pudesse parecer
adquirira de repente uma tranquilidade que não lhe pertencia
vinha do universo
em verso
viu a casa vazia
o espaço entre as paredes
e desejou-a assim vazia pelo fim dos tempos
templo perpétuo a marcar
o espaço que abrira em sua vida
a decisão de seu coração

de amar sem razão

quarta-feira, 9 de abril de 2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014

quarta-feira, 26 de março de 2014

quarta-feira, 19 de março de 2014

escritos 1 - 2007

Carentes, eles fariam qualquer coisa. Revolveriam orgasmos mortos e enterrados. Ressuscitariam afetos. Pensando nas químicas deixadas de lado, pensando na insegurança que lhe causava a ausência do peso do corpo amado, pensou: que poderia ter se deleitado um pouco mais naquela noite. Que poderia ter se deitado em outra cama agora tão distante dali. Imaginou-se, como na noite seguinte, perdida de si mesma por algumas horas. Perdida de si mesma para outro alguém. E suas lembranças, quais seriam? O que ficara impresso em sua carne? Seria como no dia anterior?
Bêbada. Completamente bêbada. Cinco horas escondida na sombra do sol forte. Cinco horas de intermináveis caipirinhas. Sabor doce-cítrico. Bebeu tanta água salgada do mar. O importante era concentrar-se em não perder a calma. Nadava mar adentro, tonta, tentava respirar calmamente. – Fique calma. Mantenha a serenidade. É o pavor que mata. É o pavor que afoga...
Estava tão bêbada que seu corpo registrara muito pouco daquele momento. Daquela experiência quase redentora que a redimia do passado. Passado sem fôlego. Passado sem calma. A experiência, pensava, podia lhe mostrar – para o futuro – que era capaz de manter-se calma até quando estivesse praticamente inconsciente. Devagar, tentando soltar o ar dentro da água. Baixar a cabeça. Mundo sem fundo. Mundo sem coordenadas. Mundo sem visibilidade. Esverdeado. Lembrou-se, de repente, que havia esquecido aquela paisagem circular, aquela paisagem um degrau acima de onde estava, de ver o mundo ao nível da água profunda do mar.
Foi relembrando que pensou – podia ter me perdido de mim mesma como naquela tarde nadando bêbada no mar.
– Poderia ter estado com ele naquela noite...
Uma noite que fosse mais uma vez – com alguém por apenas uma vez. Foi quando se perguntou: – Então é assim que fazemos para nos sentirmos livres e poderosos? Usando alguém – apenas uma vez – para afastarmos nossos próprios fantasmas?