sexta-feira, 27 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
sábado, 21 de março de 2015
Fagulha - por Ana Cristina Cesar
Abri curiosa
o céu.
assim afastando de leve as cortinas.
eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
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OUTRA POESIA
terça-feira, 17 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
a porta
Aquela porta abriu um mundo
porta que era muito mais do que uma porta
muito além de bege, laminada tábua de madeira...
A porta
não separava minha privacidade da tua
não separava minha privacidade da tua
ela nos privava do mundo,
da cidade
da verdade.
A porta ali estava
inerte
calada
dividindo em dois
o silêncio estrondoso que vinha do outro lado
o silêncio estrondoso que vinha do outro lado
separando tuas mágoas mais profundas
de teu sofrimento incansavelmente negado.
Atrás da porta
uma estrela morreu
e a porta me deixou sem endereço
mas me ensinou:
moro no coração do mundo.
Atrás da porta dançavam
um segundo e um século inteiros
adentrando feito vento
teu triste perdido olhar
tua incredulidade
(medo de ser amado?)
A porta nos escancarou todos os nossos medos
nossos segredos mais mesquinhos
e todo desamor que persiste na dor que resiste.
A porta desde sempre soubera
quem éramos
quem seríamos
e me abriu por inteira
quando a abri.
A porta me virou pelo avesso
no avesso do avesso de minha pele
carne exposta
resposta para perguntas que nunca fizera.
E a força
- força que não é necessária para uma porta abrir,
minha não era.
A porta simplesmente abriu-se
tal flor que desabrocha derramando seu perfume sem pedir licença
inundando com seu aroma a tarde inteira
a vida inteira contida naquele abraço
(sim, o brilho do sol inundando teu quarto confundia-se com o perfume e
o toque em meus cabelos, e aninhar-me fez-te sentir em casa e completamente
grato).
A porta
simplesmente confirmou
que nenhum benefício se encontra em fugir da vida
que nenhuma garantia existe
onde feridas não sangram
e cama nenhuma
por mais cara, macia ou merecida
conforta a alma.
A porta
era o fiel do mundo.
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Poetry
sábado, 28 de fevereiro de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
No Princípio era o verbo: Albrecht Dürer e Os Quatro Apóstolos
![]() |
Albrecht Dürer, Os Quatro Apóstolos, pintura a óleo
sobre madeira, 1526.
|
Essa pintura sempre me fascinou e recentemente voltei a ela para me deter mais cuidadosamente na relação entre imagem e verbo desenvolvida por Dürer. Essa reflexão foi apresentada no VI Colóquio Sul de Literatura Comparada e está disponível em: http://www.ufrgs.br/ppgletras/pdf/vi_coloquios_lit_comp.pdf
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
I wear you and take off the days,
There is no history before your hands,
There is no history after your hands,
They call you the alternative,
I do not have language, between myself and my name there is a country,
And I want to incarnate the trees,
I bear witness that I Have covered my name with silence,
Near the sea...
Mahmoud Darwish: Thats her image and this is the lovers suicide.
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OUTRA POESIA,
Poetry and poets
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
“[…]
there is [rather] nudity and us, we who are in the very place of lighting; in
other words, it is our gaze which, in opening itself upon the nudity of
Olympia, illuminates her. […] we are responsible for the visibility and for the
nudity of Olympia. […] we are – every viewer finds this – necessarily implicated
in this nudity and we are at a certain extend responsible. You see how
aesthetic transformation can, in a case such as this, provoke a moral scandal.” Michel Foucault in: Manet and the Object of Painting.
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