domingo, 26 de abril de 2015

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metade do que vemos são aparências
(aparências de verdade)
metade do que falamos mentiras
metade do que ouvimos
não percebemos com os ouvidos
e metade do que sentimos
é pura ilusão
(ilusões de verdade)
metade do que se vive é sonho
e metade da vida
é morte

quarta-feira, 22 de abril de 2015

And if sometimes before all I wished for was to keep
to hold and never forget
slowly
as the days passed by,
all I wished for
as much as this feeling was soaked into sad tears which never left my eyes
was to forget

to let everything go away
to let it all follow whatever star’s light into oblivion
to let every memory, every word, every kiss
disappear into dust

there was no difference at all
if in the dust of my own going away steps
the dust your bike leaves behind itself on the road
nor the dust from any other galaxy far away
dust from body, movement or gear
dust as gold
diminishing it all
into billions of tiny subatomic pieces

My heart was still in one
but everything else felt apart
and nothing from it all wished I to retain
nor even words
though I needed them
I need these
no, not to keep
but rather to enable my thoughts to return to dust and forgivenes

forgetfulness…

sábado, 18 de abril de 2015

5_4_92

é melhor que ela pense
que ainda não acordei
é melhor que todos pensem
que ainda estou morta
enquanto apodreço

desapego
num mundo visível
me perco entre mil gentes
mil risadas
das casas alheias
mil ternuras
amargas
envelhecidas
de estação em estação

relógio sem areia
sem tempo

apenas dor
de vidro quebrado
pedaços perdidos
na areia do mar

nu
sem coragem de ver
com demais para sentir
envolto em sal
na areia

brancura
transparente
tuas vísceras são roxas
teu desespero vermelho
meus olhos também

pedaço do mar.


terça-feira, 14 de abril de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Todas as linhas de Louise (Louise Bourgeois - Works on paper).












todas as marcas na tua pele
rastros de tuas dores
feito  linhas 
do tempo passado.


Esta série fotográfica se concentra nos detalhes dos desenhos executados por Louise Bourgeois no anos finais de sua vida. Sobretudo, trata-se de enxergar a composição, o caráter, o perfil, vida e morte de suas linhas. Os detalhes são de obras apresentadas na exposição "Louise Bourgeois - Works on Paper" com curadoria de Ann Coxon, em cartaz na Tate Modern entre junho de 2014 e abril de 2015. Para maiores infomações, acesse: http://www.tate.org.uk/whats-on/tate-modern/display/louise-bourgeois-works-on-paper

sexta-feira, 3 de abril de 2015

There is a line in your heart
a drawing upon your skin
comings and goings
longing and leaving
in your dreams.

There are mistakes in desire
and learning in regrets
amongst all
there is understanding in love
for loving you is knowing where you are

and loving you is letting you be you
and me be me

for meeting depth in your eyes
breathing love in your arms
showed me who I truly am
and how much of that unfolds in the infinity of the world.

terça-feira, 31 de março de 2015

Desenhando ontem VII - Drawing yesterday VIII

Queria a linha do desenho mais sujo, mais rasurado possível. Que a linha desestabilizasse seu desejo mais primário e superficial, sua vontade de controle, os limites dos seus sabidos e de suas certezas. Desafiava, na rasura, a si mesma. O que seria de fato correr o risco no desenho? [...] Não ditos afirmados no silêncio às vezes ruidoso da linha, linha nada linear, linha de acaso, de rasura. Linha incontrolada, incontrolável. Havia rasgo no risco, abertura na rasura. A criação ocorria na perda do controle. Descobrir-se era atravessar sua própria superfície, sua imagem superficial refletida no espelho todas as manhãs quando escovava os dentes. A rasura parecia exigir a todo instante a distância. Distância do olhar para a paisagem do risco, dos traços. Não se acredita na força do risco ou do rasgo na presença do modelo ideal? Há mais potência na ausência, na completude do imaginário. Para ser alimento do espírito a arte deveria deixar de ser espelho. Algo de aleatório é necessário a qualquer imagem com força para mover de fato um novo olhar. Olhar de descoberta. (26/09/13)

O papel branco chegava a machucar seus olhos. O papel creme era o certo, o indicado; aquele que, diziam, absorvia o toque e a tinta. Nanquim. Achou que estava odiando, o papel absorvia tudo, tudo. Lembrou-se de Louise e sua fala sobre a decisão de abandonar a certa altura a madeira para trabalhar a pedra. A madeira aceitava tudo, era dócil, disse ela. A pedra? A pedra não. A pedra possuía resistência. Resistência: vontade própria. Era necessário negociar com ela, ouvi-la. Decidiu continuar com o papel comum branco. (3/10/13)

I wanted the most possible dirty line for my drawing. As if the line could unbalance my most primary and superficial desires, my desire to control as much as the limits of what I already knew and my own certainties. By erasing, by drawing line over line, over line, I was actually defying my own self. What would it actually mean to take risks when drawing? […] “Unspokens" revealed in the line silent noise, this non linear line, this casual line, this superimposing erasing drawing line. Uncontrollable line. There was a cut in risk, there was an opening in superimposed lines. Creation happened whenever control was lost. And to reveal my own self meant to transgress my own surface, that superficial image I would stare at  in the mirror every morning as I brushed my teeth. (September, 26/2013)

The white paper did almost hurt my eyes. Actually, a cream paper would be better for it was capable of absorbing touch, paint and ink. But I felt I was hating it, for the paper absorbed just everything, absolutely everything. It recalled me Louise and her speech about the decision to abandon wood at a certain point. Wood was too soft, it was too docile she sad, not the stone though. The stone was all about resistance. One could call its resistance its own will. It was necessary to deal with it, to listen to it. So she decided to keep the very plain letter size, white paper. (October, 3/2013)



sábado, 21 de março de 2015

Fagulha - por Ana Cristina Cesar

Abri curiosa
o céu.
assim afastando de leve as cortinas.
eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.

Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.