quinta-feira, 27 de maio de 2010

Recortes da Moleskine I


As vezes, visitar um museu é uma experiência que se confronta com nossa aprendizagem de anos sobre a arte ou sobre um artista. O resultado, neste caso, nem sempre é o que esperamos.

O Museu de Picasso foi um tanto quanto decepcionante. Eu esperava por algo à altura do nome. Mas desconfio que existem milhares de “Museus Picasso” por aí... Desse jeito, obviamente, fica difícil ter um acervo que dê conta de mostrar de maneira mais apurada o que foi o conjunto de sua obra.
Há lacunas absurdas, como, por exemplo, nenhuma obra significativa do Cubismo, tanto sintético quanto analítico. Ainda assim, gostei muito de ver algumas coisas. A pintura que ele fez aos quinze anos e que lhe deu sua primeira premiação, creio que se chama “Primeira Comunhão”; certinha academicamente, e só.
A pintura que lhe deu um segundo prêmio, se não me falha a memória chamada "Ciência e Caridade" – de grandes dimensões – realismo social segundo o curador, é péssima. É terrível! Totalmente apelativa, correta academicamente, porém sem qualquer apuro técnico. Picasso pinta como alguém que não entende a “técnica”, usa cores sujas, feias mesmo. Aliás, realmente, em termos de uso da cor, Picasso aprendeu muito pouco nesta vida.
Mas gostei muito de ver as pinturas que fez de estudos para a realização das Meninas (relendo Velazquez). Uma quantidade enorme de pinturas que estudam a analisam mais de uma vez cada um dos “quadrantes” da pintura original. E, para cada estudo, elabora uma solução diferente. Às vezes me pergunto o que exatamente Picasso estava vendo na pintura original. Pois parece ver muito mais do que parece haver para ver. Ao final, dos vários estudos feitos em cor, ele compõe uma grande pintura em preto e branco que parece ser uma montagem, uma composição das várias possibilidades antes pesquisadas e elaboradas.
Também gostei muito de ver umas pinturas feitas na década de 50, do terraço e das pombas que ali criava na casa em que morava. Tanto pelas variações na composição como pelo uso das cores que aqui me agradaram.
Nestas últimas pinturas, curiosamente, Picasso parece render-se a Matisse...

domingo, 2 de maio de 2010


Não precisa amor 
para sexo
Não precisa para sempre 
pra ter filho
Mas um pouco de poesia 
sempre cabe no dia a dia