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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


















Uma tragédia nunca é apenas uma tragédia. Uma tragédia é sempre a soma, adição, de inúmeras tragédias. A vida humana se manifesta em diferentes planos e aspectos e a vida propriamente dita vive de muito mais do que o fenômeno físico de estar vivo. A vida não se resume, afinal, ao movimento de ar nos pulmões ou às batidas do coração. Sendo assim, a quem caberia o direito de julgamento sobre as tragédias humanas? Quem poderia determinar, quem teria o direito de determinar, a dimensão das tragédias? Perder uma casa também é perder uma vida. Perder um espaço marcado pelo tempo, também é perder a história de uma vida. Perder a história de uma vida, é perder um pouco dela. 
Fiquei pensando sobre tudo isso ao perceber as discussões que se alastravam nas redes sociais onde pessoas comentavam e dimensionavam tragédias. Pensou se era ou não pertinente comentar. Tudo o que sabia é que sentia saudades de coisas que haviam se perdido. Que haviam sido. E não sentia apenas saudades de seu avô ou de sua avó. Tanto quanto sentia a saudade deles, das pessoas que eram, daquilo que faziam, de seus cheiros, gostaria de poder voltar no tempo para ver a luz do jardim da sua infância e abrir o armário de livros da casa da praia para respirar profundamente. Um pouco de seus olhos haviam morrido naquelas décadas de crescimento imobiliário. Um pouco de seus pulmões haviam desfalecido quando se vendeu a casa de madeira da praia do Pinhal. Lá naquele lugar que também se foi, feito as cinzas dos mortos, estavam enterrados seus avós. No limiar do tempo, perdemos todos o corpo. O corpo que dá vida às memórias. O corpo que dá sentido à vida. A morte morre todos os dias. A morte morre em tantos pedaços quanto a vida.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

sábado, 13 de agosto de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O encontro e a poesia






















Am näschsten tag, als wir aufwachten, saget er:
Ich freue mich schon nach Hause rück zu kehren,
zum mein organizierstes Leben.
Heute, würde ich ihn antworten:
– Caos is poetry.

resta
apenas
o amor
 – silêncio –
resting in his arms...

todo mundo têm
sua parcela de natureza morta
todo mundo têm
suas condutas tortas
todos temos
um pouco de medo
temperando o desejo
e um pouco de tristeza
– brilhando no olhar –
a quem amamos

e temos os segredos
e sentimentos
que guardamos
 – até mesmo –
de nós mesmos

todos
nos equilibramos
entre contradições
incoerências
inconsistências
resistências

e perdemos todos
um pouco de serenidade
por ódio, por amor, por paixão

resta,
apenas,
o que guardamos
no coração,
no pulmão,
ao alcance da mão

resta apenas abraçar
as renúncias do amar...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

os melhores pensamentos
nasciam na compreensão
do próprio desconforto
do próprio sofrimento
era necessário
deixar-se doer de prazer...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010






















durante 13 anos
das janelas de meu apartamento
via logo ali a poucos metros
dois ou três
as janelas da sala e do dormitório do prédio ao lado
quase geminado
de planta coincidente com a minha
cuja janela da sala
era na realidade uma porta de vidro
que se abria para uma pequena sacada
quase suspensa no ar
as janelas que via da minha janela
estavam sempre
sempre fechadas
até o dia em que
-  num domingo de manhã - 
vi a vizinha
pelo menos imaginei que fosse a habitante daquele apartamento
limpando quase virginianamente os vidros
foi impossível não sorrir
e pensar
com certo pesar
na importância dada à limpeza de um vidro
através do qual
nunca olhava...