sexta-feira, 16 de março de 2012

e o amor
derramou-se em verso
mergulhou em lágrimas
posto que não cabia
em lugar algum

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

fios em rios
melancolia fluída
de tempos em tempos
toda tradução dá vazão
à não razão
todos os cortes
em vidro
em água
unem sentidos,
desunem
estabilidades prévias

domingo, 26 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012






Foi em 1974, ou possivelmente ao final do ano de 1973. Naquela época, filmes ficavam algum tempo nas máquinas fotográficas antes de serem revelados e impressos, portanto a data que aparece abaixo da fotografia pode ser da revelação. Foi em 1974 que produzi minha primeira imagem fotográfica. Com dois anos e meio quando muito, não se espera que uma criança tenha muito discernimento para fazer uma fotografia, mas gosto de pensar que muito da minha maneira de pensar, logo de produzir imagens, aparece nesta foto. Afinal, o centro está vazio. Do universo dos adultos, tão maiores do que eu, vemos apenas partes: as pernas de meu pai arrumando livros na prateleira, minha mãe segurando meu irmão no colo com detalhe na gola da blusa. Meu irmão - inteiro - ao lado direito da imagem... Não canso de me deslumbrar com a idéia de que a minha real intenção com esta foto era, de fato, fotografar a máquina de escrever.
Talvez esta tenha sido minha primeira tentativa de criar uma imagem para as palavras...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


lullaby
le là ici
ne ce pa
le là au là-bas

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

she enjoyed that
things could get
the smell of places

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


















Uma tragédia nunca é apenas uma tragédia. Uma tragédia é sempre a soma, adição, de inúmeras tragédias. A vida humana se manifesta em diferentes planos e aspectos e a vida propriamente dita vive de muito mais do que o fenômeno físico de estar vivo. A vida não se resume, afinal, ao movimento de ar nos pulmões ou às batidas do coração. Sendo assim, a quem caberia o direito de julgamento sobre as tragédias humanas? Quem poderia determinar, quem teria o direito de determinar, a dimensão das tragédias? Perder uma casa também é perder uma vida. Perder um espaço marcado pelo tempo, também é perder a história de uma vida. Perder a história de uma vida, é perder um pouco dela. 
Fiquei pensando sobre tudo isso ao perceber as discussões que se alastravam nas redes sociais onde pessoas comentavam e dimensionavam tragédias. Pensou se era ou não pertinente comentar. Tudo o que sabia é que sentia saudades de coisas que haviam se perdido. Que haviam sido. E não sentia apenas saudades de seu avô ou de sua avó. Tanto quanto sentia a saudade deles, das pessoas que eram, daquilo que faziam, de seus cheiros, gostaria de poder voltar no tempo para ver a luz do jardim da sua infância e abrir o armário de livros da casa da praia para respirar profundamente. Um pouco de seus olhos haviam morrido naquelas décadas de crescimento imobiliário. Um pouco de seus pulmões haviam desfalecido quando se vendeu a casa de madeira da praia do Pinhal. Lá naquele lugar que também se foi, feito as cinzas dos mortos, estavam enterrados seus avós. No limiar do tempo, perdemos todos o corpo. O corpo que dá vida às memórias. O corpo que dá sentido à vida. A morte morre todos os dias. A morte morre em tantos pedaços quanto a vida.

domingo, 15 de janeiro de 2012

o amor?
deveria ter o gosto da liberdade
a amplidão da solidão 























there is nothing in love
that freedom can't be

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

discutições
são as farpas de mel
e fel
de teu desejo escuro
teu desejo duro
duro é ter na mente
desejo que mente...

o amor?
deveria ter o gosto da liberdade
a amplidão da solidão 





















there is nothing in love
that freedom can't be